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13.12.06
Hum...
Estarei por aqui um pouco...
3.2.06
Murphy
Olhem a hora aí embaixo. Faz uns dez ou quinze minutos que uma freada seguida de pancada me tirou do tranqüilo sono em que estava. É claro que eu abri a janela para ver quem tinha sido o panaca que enfiara o carro no poste. Para a minha grande surpresa, o poste em questão foi a porta do carro estacionado à frente. Ou seja: o nosso. Meus pais estão lá resolvendo o problema... ... Eu sei que já é cliché, mas vai dizer que essa Lei de Murphy não é do cacete? 22.1.06
Pronto!
Depois de anos e anos de busca finalmente achei minha música preferida! "Música de músico", dirão alguns, "Jazz é um saco!", dirão outros. Mas essa música une simplesmente tudo o que eu gosto em música: erudito, popular, harmonias incomuns, compassos incomuns, flauta e piano. É sério, nunca me senti assim com uma música. É tão bombástico que até tive de fazer esse post idiota! Quem gosta de Jazz tem que conhecer, e quem não gosta corre o risco de gostar. É nada menos que a Suíte para Flauta e Piano Trio de Claude Bolling, escrita para Jean-Pierre Rampal (o melhor flautista que já viveu). Nada bate a gravação de Bolling ao piano, Rampal na flauta, e os dois monstros Max Hediguer no baixo de pau e Marcel Sabiani na bateria. Procurem, eu recomendo demais. O cara busca influência em Bach, Rachmaninov, no jazz de New Orleans, até do rock progressivo ele se aproxima. Põe uma jazz-ballad no meio de virtuoses de piano sem parecer equisito ou brega... É incrível. Tem partes que parece música brasileira, até. Meu preferido é o terceiro movimento (Javanaise), em cinco por quatro. ... Já vou ouvir de novo. 6.1.06
Geraldo Vandré
Esse cara é o máximo. Olha só o que ele diz, ao vivo no Maracanãzinho, após o empate com "A Banda" em 1966: "Olha... E sabe o que eu acho... Eu acho uma coisa só a mais... Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda... Merecem o nosso respeito.... A nossa função é fazer canções, a função de julgar nesse instante é do júri que ali está... Um momento... Por favor, por favor, tem mais uma coisa só... Prá vocês, prá vocês... Que continuam pensando, que me apóiam vaiando! Gente... Gente... Por favor, olha tem uma coisa só... A vida não se resume em festivais!"Esse cara é o meu ídolo. 2.1.06
Prepare o seu coração...
Já que estou com mania de poesia, vou colocar aqui um dos meus poemas preferidos. Foi musicado por Théo de Barros, a música foi defendida por Jair Rodrigues acompanhado pelo Quarteto Novo no festival da Record de 1966 e empatou em primeiro lugar com a xoxa "A Banda", de Chico Buarque. O poema, de Geraldo Vandré, é um dos mais fortes que conheço. A música, é claro, é das minhas preferidas. Aí está: Disparada Geraldo Vandré (musicado por Théo de Barros) Prepare o seu coração P'rás coisas que eu vou contar Eu venho lá do sertão E posso nao lhe agradar Aprendir a dizer não Ver a morte sem chorar E a morte, o destino, tudo, Estava fora do lugar Eu vivo p'rá concertar* Na boiada já fui boi Mas um dia me montei Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu Boiadeiro muito tempo Laço firme, braço forte Muito gado, muita gente, Pela vida segurei Seguia como num sonho E boiadeiro era um rei Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E nos sonhos que fui sonhando As visões se clareando Até que um dia acordei Entao não pude seguir Valente em lugar tenente O dono de gado e gente Porque gado a gente marca Tange, ferra, engorda e mata Mas com gente e diferente Se você não concordar Não posso me desculpar Não canto pra enganar Vou pegar minha viola Vou deixar voce de lado Vou cantar noutro lugar Na boiada ja fui boi Boiadeiro ja fui rei Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse Que quisesse ou que pudesse Por qualquer coisa de seu Querer mais longe que eu Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E já que um dia montei Agora sou cavaleiro (Laço firme, braço forte) De um reino que não tem rei * É, é "concertar" mesmo. Foi o Pasquale que disse. Quer dizer "colocar em harmonia", como num concerto de orquestra. Faz sentido, além de ser muy chique. - NB (Nota do Blogueiro) 1.1.06
Desilusão
É incrível. Eu não dou uma dentro. Quando finalmente acho que o país teve um crise política forte o suficiente para politizar o povo pelo menos um pouco, quando acho que o povo não é burro, quando acho que posso passar um tempo sem falar de política (até que enfim!), descubro que o Quércia lidera as pesquisas para o Governo de São Paulo. Parece brincadeira! --- E o ano novo... É engraçado. Eu fico desejando às pessoas "saúde, paz, amor, alegria e dinheiro no bolso". Não sei se isso é demais egoísta, mas na verdade quem está precisando muito dessas coisas sou eu!
Puta merda...
...agora dei para escrever poesia? E num lugar público? Porra, eu não tenho jeito mesmo. E o pior de tudo é que não fico intimidado com a possibilidade (e alta probabilidade) da minha poesia ser uma merda. --- Ah, sim, e um feliz ano novo para os meus milhares de leitores (essa piada nunca vai me cansar)!!!
Saudades
do mesmo autor anônimo de "Formosa", que se vocês ainda não sacaram quem é devem ir é catar coquinhos Sinto saudades. Saudades incompreensíveis. Irreparáveis. Não só de águas passadas. Saudades de coisas que não acabaram. (E de coisas que não começaram.) Saudades de coisas que ainda não fiz. (Ou que não fiz quando deveria ter feito.) E (pior ainda) saudades de coisas que não poderia ter feito. Fernando Pessoa tinha razão, mas esqueceu de incluir os brasileiros. E certo estava Bandeira. (Acho que nunca entendi Manuel Bandeira como agora.) Só não sei se são saudades sinceras, ou se só sou um chato de um saudosista... 30.12.05
Será?
Minha mãe que vive dizendo: "Você devia ter nascido nos anos 40, para tocar flauta de terninho nos festivais!" E outras pessoas me dizem muita coisa parecida. Será mesmo que nasci na época errada? Só agora que talvez esteja começando a concordar... Será? Porque eu queria sim ter visto os festivais. Queria estar lá para ver Geraldo Vandré tocar, ver o Quarteto Novo ao vivo, torcer ferrenhamente por "Disparada" em 66 e ficar puto com o empate com "A Banda". Para ver Edu Lobo e Marília Medalha defenderem "Ponteio" em 67, ficar na dúvida se torcia por "Ponteio" ou "Roda Viva" (e no fim torcer por "Ponteio" mesmo). Para explodir de dúvida em 68 entre "Pra nao dizer que não falei da Flores" e "Sabiá". Para, quem sabe, acompanhar Edu Lobo, Chico Buarque ou Geraldo Vandré tocando flauta de terninho e cabelo pastinha... Queria estar lá para ver Elis cantar e berrar e brincar ("Upa, neguinho na estrada!"), ouvir Nara Leão, Vinicius e Baden Powell cantarem juntos. Conhecer o poeta... Acompanhar a criação de maravilhas como "Berimbau" e "Canto de Ossanha". E acompanhar os lançamentos de Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar e Manoel de Barros. E para ficar ouvindo os clássicos das big bands do jazz de Duke Ellington, Benny Goodman e Count Basie, achar que as novidades do bebop de Coltrane e Miles Davis eram chatas e loucas demais e aprender a gostar delas também. Queria lutar contra a ditadura. Ter para onde vazar toda essa calda ideológica que me preenche (acho que tenho ideologia acumulada de três gerações). Acho que teria lutado, de algum modo. Não sei, mas acho que sim... Sei lá... Talvez se eu tivesse nascido nos anos quarenta eu fosse tão rabugento como sou hoje, e só ouvisse Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth... Mas não, acredito que não. |